OS SABOTADORES INVISÍVEIS DA MENTE

Será que os sabotadores são as suas emoções mal elaboradas comprometendo a sua existência ?

Há um ponto silencioso na experiência humana em que a construção e a destruição acontecem simultaneamente. Não são, na maioria das vezes, os eventos externos que determinam o rumo de uma vida, mas a forma como um indivíduo se relaciona com aquilo que sente, percebe e evita. Acontece que, aquilo que parece ser apenas um traço de personalidade, frequentemente é, na prática, um padrão de funcionamento que limita o contato pleno com a realidade.

Quero te dizer que sob a perspectiva da Gestalt-terapia, o problema não está apenas na emoção em si, mas na interrupção do fluxo de contato. Normalmente, quando o nosso organismo deixa de integrar o que sente, surgem distorções que comprometem a auto regulação e, é exatamente nesse cenário que alguns estados internos dessas pessoas que passam a operar como verdadeiros auto sabotadores silenciosos.

A preguiça é um bom exemplo quando entendida para além do aspecto físico, vai revelar um afastamento do engajamento com a própria vida. Trata-se de um mecanismo de evitação do esforço que é necessário para sustentar escolhas e projetos novos. Com o tempo, esse afastamento compromete a ambição, não como um mero desejo superficial de conquista, mas como força vital que impulsiona o indivíduo em direção aquilo que faz sentido para ele.

Já a raiva, quando não é reconhecida e bem elaborada, interrompe a capacidade de discernimento. Em vez da raiva servir como um sinal legítimo de limite ou injustiça, ela se transforma em reação automática. Nesse estado, o sujeito perde a possibilidade de responder com consciência e passa a agir impulsivamente, o que fragiliza sua sabedoria prática, aquela que emerge do contato lúcido com a experiência.

Mas, e o que podemos pensar sobre o medo? Sabendo que é uma emoção essencial à nossa preservação, mas quando se torna dominante, restringe o campo de possibilidades e o sonho, enquanto expressão de direção existencial, vai exigir alguma abertura ao novo e ao incerto. No entanto, quando o medo se sobrepõe, a pessoa deixa de se arriscar, não por incapacidade, mas por antecipação de ameaça e a sua vida aparenta ficar segura, porém limitada demais.

O ego, quando rígido, impede o crescimento e na Gestalt-terapia, compreende-se o self como um processo em constante formação, que se atualiza no contato com o ambiente. Um ego cristalizado bloqueia essa atualização, pois resiste à mudança, evita o reconhecimento de falhas e sustenta uma imagem fixa de si mesmo. Com isso, o indivíduo preserva sua identidade, fato! Mas perde a possibilidade de expansão.

O ciúme emerge neste contexto como uma manifestação de insegurança e dificuldade de sustentação interna. Ele vai projetar no outro a origem da sua instabilidade que, na verdade, pertence ao próprio sujeito. Esse movimento gera tensão constante e impede o repouso psíquico e a paz não se estabelece porque o foco está sempre fora, em tentativa de controle daquilo que não pode ser controlado.

A dúvida, quando chega excessiva, fragiliza a confiança básica necessária para a ação. Questionar é saudável, mas a dúvida crônica paralisa tudo. O indivíduo permanece em um estado de suspensão, incapaz de se comprometer com as suas próprias escolhas e sabemos que sem confiança, não há direção, e sem direção, a experiência se fragmenta.

Entretanto, o mesmo organismo que desenvolve esses padrões também possui a capacidade de reorganização, quando há ampliação de consciência e o movimento se inverte. A confiança começa a dissolver a dúvida à medida que o sujeito passa a sustentar suas decisões. A paz interna vai reduzir o ciúme patológico quando a referência deixa de ser externa e passa a ser construída no próprio campo interno. O crescimento se torna possível quando o ego flexibiliza e permite a chegada do novo.

O sonho se fortalece quando o medo é reconhecido, mas não é mais determinante quando a sabedoria se estabelece e a raiva é integrada, compreendida em seu contexto.

O ponto central aqui não está em eliminar emoções, mas em restaurar o contato consciente entre elas. A Gestalt-terapia propõe fazer exatamente isso, trazendo “awareness” ao operar automaticamente, pois o indivíduo se dá conta de como ele funciona e recupera a sua capacidade de escolha.

A vida psíquica não se desorganiza de forma abrupta, ela apenas se desestrutura em pequenos afastamentos de si mesmo. Da mesma forma, a reconstrução não acontece por grandes rachaduras, mas por movimentos consistentes de reconexão com a própria experiência vivida.

Para finalizar, a pergunta que se impõe é simples e direta:

Em que ponto você tem interrompido o contato consigo mesmo?

E a resposta poderá não ser confortável, mas será a partir dela que qualquer transformação real se iniciará na sua vida.

Dr. Marcos Calmon

Psicólogo Clínico

CRP 32.619 / 05

WhatsApp: (21) 98675-4720

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Dr. Marcos Calmon

“Sou um arquiteto de mentes, comprometido com a sua transformação profunda e duradoura através da Psicologia Moderna”.

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