A CAIXA MENTAL
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Imagine que existe uma simples caixa sobre a mesa e, dentro dela repousa uma joia muito preciosa, neste exato momento, ela deixa de ser apenas uma caixa e passa a guardar um tesouro valioso, não é verdade? Mas, e se amanhã essa mesma caixa recebesse aquilo que você descartou, neste instante, a sua ilustre função não mudaria completamente? Afinal de contas, o recipiente continuaria sendo o mesmo, mas o que mudou foi o lixo que você escolheu colocar dentro dele.
Assim também somos nós nesta vida.
Nosso mundo interior é como esta caixa, em grande medida, é moldado pelo que permitimos entrar dentro dele. Pode ser pensamentos, palavras, sentimentos, hábitos, pessoas, experiências e tudo mais que, consciente ou inconscientemente, deixamos entrar em nossa caixa mental.
Mude agora o seu foco para um lago de águas transparentes, refletindo o céu como um espelho translúcido. Como poderíamos conservar tanta pureza se, todos os dias, aqueles que passam por suas margens lançassem nele os seus resíduos? Aos poucos, tudo aquilo que era cristalino perderia a transparência original. Não foi a água que deixou de ser água, mas foi aquilo que permitiu receber do meio externo.
A natureza nos oferece todos os dias muitas lições poderosas, porém silenciosas. Tente entender que uma única pedra poderia alterar a correnteza de um rio a qualquer momento ou uma pequena semente, ao ser lançada no solo, poderia transformar toda uma paisagem depois de algum tempo.
Ainda que pareça insignificante e invisível no início, poderia adquirir proporções enormes quando encontra oportunidade para crescer para realizar coisas boas ou ruins.
Assim também acontece conosco meu amigo ou minha amiga.
É necessário estabelecer limites claros entre aquilo que somos e aquilo que o mundo tenta depositar dentro de nós. Nem toda palavra merece ser morada. Nem toda presença merece ter acesso ao nosso mundo interno. Nem toda opinião precisará atravessar os portões da nossa consciência.
Há pessoas que chegam trazendo dias ensolarados, eu sei. Mas existem outras que chegam carregando tempestades. Algumas ajudam a florescer o nosso jardim; outras, lentamente, vão arrancando as nossas raízes. Existem muitos tipos de agressões que não fazem barulho e elas estão naquele desprezo disfarçado de espaço pessoal, na ironia constante, no silêncio utilizado como punição, na palavra que diminui quem somos ou na presença com segundas intenções que vai te esgotar sem você perceber a manipulação.
E, quando já não percebemos mais nada mesmo e baixamos a guarda, aquilo que era apenas uma pequena infiltração transformou-se em inundação perigosa.
Até o jardim mais bonito precisa da vigilância constante do jardineiro. Se for abandonado, as ervas daninhas ocuparão os espaços onde antes floresciam apenas um belo roseiral. Não porque o jardim tenha sido deixado de ser belo, mas porque tudo aquilo que vive livre, precisa de cuidados constantes para continuar florescendo.
Isso não significa fechar as suas portas para o mundo, tornando-se indiferente ou vivendo atrás das muralhas emocionais com algum transtorno psíquico. Não! Significa que precisa compreender que dentro de você existe um território sagrado que merece ser protegido com sabedoria.
“Você é eternamente responsável por aquilo que cativa” e, cultiva também!
Sua realidade não precisa ser definida pelo que dizem a seu respeito. Escute uma voz muito mais importante gritando lá dentro, mais alto do que todas as outras vozes externas. É ela que você deve escutar quando fica diante do próprio espelho mágico.
A grande sabedoria começa quando compreendemos que não podemos controlar tudo o que chega até nós, mas podemos escolher o que vai permanecer.
Proteja o seu espaço psíquico como a águia que protegeu o seu ninho. Ela não fez isto por medo do mundo, mas porque conhecia muito bem o valor daquilo que guardava naquele lugar especial, que no seu caso, é a sua caixa mental.



