CUSTO PSICOLÓGICO DE VIVER NO BRASIL
Quando a política adoece a mente
Por Dr. Marcos Calmon – Psicólogo Clínico
Não quero falar apenas sobre uma questão econômica ou política deste ou daquele país, mas entendo que o “custo mental” de viver no Brasil é hoje uma fonte contínua de problemas psicológicos para os cidadãos, e que parece não ter mais fim. Basta analisar esse “Modelo Brasil”, que consome, segundo algumas estimativas (ainda que superficiais) algo em torno de R$ 300 bilhões por ano para sustentar uma máquina política funcionando diariamente. E não estou falando de um valor qualquer ou restrito aos gordos salários dos nossos políticos eleitos, mas de uma soma absurda que inclui verbas de gabinete, cargos comissionados, estruturas paralelas, diárias, reembolsos pouco fiscalizados e uma extensa lista de aparelhamentos políticos que parecem infinitos.
E o que tudo isso tem a ver com a psicologia? Tudo!
Na clínica psicológica, sabemos que excessos prolongados geram desequilíbrios, e com eles surgem adoecimentos mentais cada vez mais graves. Um organismo, seja biológico ou mental, que consome mais recursos do que produz, tal como o nosso Estado, entra em colapso e fica inchado, pouco funcional e inserido em um ambiente emocional doente, propício à geração de inúmeras disfunções crônicas, acompanhadas de desesperança generalizada e descrédito institucional por parte dos cidadãos exaustos de tudo isso.
A pessoa comum trabalha arduamente para pagar impostos elevados e, em troca, não recebe quase nada, salvo serviços precários ou inexistentes. Essa discrepância gera um fenômeno psicológico conhecido como dissonância cognitiva social. Funciona assim, as pessoas sabem que pagam caro por uma falácia do serviço público, mas, por viverem em um país onde faltam médicos, professores, segurança, saneamento e acesso digno à justiça há muitas gerações, tendem a se acomodar no papel de vítimas, sem reação real.
Como suportar tamanha contradição? A mente não suporta e recorrem à negação da realidade, entram facilmente em polarizações ideológicas, adoecem psiquicamente ao se perceber impotente. Não é mera coincidência! O Brasil é “para os fortes”, como se diz por aí, e acaba vivendo, em 2026, uma de suas piores epidemias de saúde mental, com o avanço constante da ansiedade, da depressão e de uma sensação coletiva de debilitação emocional. As pessoas percebem que seus esforços não se convertem em crescimento pessoal nem em retorno social, desistem. Instala-se, então, um sentimento profundo e generalizado de injustiça existencial, comprovado na prática pelos números do Ministério da Saúde e da OMS.
O Brasil não sofre apenas pela falta de recursos. Sofre, principalmente, pela falta de humanidade, pela ausência de limites. O sintoma final é claro para todos que não nasceram cegos. Aliás, reitero, pois até os cegos já enxergaram essa verdade. Qualquer sociedade que não sabe impor limites a si mesma, que não cortar na própria carne, acabará pagando um preço extremamente alto. E esse preço não será apenas financeiro, com o bolso furado, mas psicológico com mentes adoecidas, destruídas pela falta de equilíbrio emocional e intelectual de dirigentes ineficientes.



