TANATOLOGIA

O medo de morrer

 

Para a psicologia, o que é o “morrer”? Independentemente da possibilidade da existência de outra vida após este momento solene, é sem sombras de dúvidas, a questão maior, aquela que une os ricos e pobres, bonitos e feios, ocidentais e orientais, extrema direita ou esquerda... Enfim, todos! Democraticamente em torno do mesmo destino inexorável e, obviamente, impossível de ser evitado, é a extinção da vida biológica no corpo.

Ultimamente, Michael Jackson vem lembrando o mundo inteiro da nossa mortalidade. Não adianta fama, dinheiro, sucesso, ser branco ou preto. Pois, poderemos sair de cena a qualquer instante, sem importar se somos velhos ou jovens, doentes ou saudáveis. O que importa é uma questão primordial: Qual é o seu legado? Isto é, qual é a diferença que você já fez para o mundo? O planeta fica um pouco melhor ou pior com a sua partida? Quantas lágrimas você já enxugou, para que a sua própria lágrima fosse apenas de felicidade?

A tanatofobia é o medo da morte, quando se perde a referência da vida. Viver e morrer é a dicotomia entre o contínuo perder e o ganhar, algo que nos constitui como verdadeiros aprendizes da vida.  Você que teme a morte, não terá medo maior da própria vida?

Viver implica em morrer todos os dias ao dormir e ao acordar, entre a morte da infância e o renascer no mundo adulto, na morte das ilusões e o ressurgimento da realidade... Aliás, são tantas as mortes que antecedem a morte propriamente dita, que já deveríamos estar acostumados. Sem falar do fato que já estamos morrendo desde o primeiro choro ao nascer, se levarmos em conta as milhões de células que se renovam continuamente em nosso corpo e, sem que tenhamos qualquer percepção consciente deste processo natural.No entanto, cada uma dessas mortes implicam num renascimento interior. É preciso morrer para renascermos mais plenos e melhores, como uma lagarta que se transforma em borboleta e ganha os céus voando livremente. O tanatofóbico guarda consigo mesmo uma “fantasia de imortalidade inconsciente”. Ele evita falar da morte para poder espantá-la, acredita que o seu silêncio a mantém distante, pois na verdade sente-se impotente e incompreendido. Enquanto o mundo prolifera as possibilidades de morrer a qualquer segundo no trânsito, no avião, nas guerras urbanas, nas doenças contagiosas, etc. O tanatofóbico sente-se acuado e perdido diante de um mundo assustador, ameaçador e cruel para os seus olhos mortais apavorados.

O curioso disto, é que enquanto a morte clínica não chega, ele vai morrendo junto com cada um daqueles que vão à sua frente. Geralmente, são apegados as coisas e as pessoas e, com isto, não conseguem dizer adeus aos entes queridos com facilidade, isto sem se desequilibrar emocionalmente, apresentando-se desesperados, perdidos, sem chão... Tem medo e fogem aterrorizados da morte como o fim de tudo!

Imagine se amanhã fosse o seu último dia vivo. O que faria? Ficaria trancado dentro de um quarto, triste e deprimido ou buscaria enxergar tudo de belo a sua volta? Beijaria muito quem você ama e consertaria os seus erros cometidos, não é mesmo? O “aqui-e-agora” teria um significado muito mais profundo para você. Quero te convidar para fazer uma experiência psicológica incrível: “Viva cada momento como se fosse o último e, fará uma revolução sem precedentes na sua vida e na vida de todos ao seu redor.” É isto mesmo! Pare de se lamentar e de se achar imortal. Aceite a sua mortalidade como uma oportunidade de fazer a diferença no tempo presente, pois no passado você nasceu e no futuro, certamente vai morrer... Que este novo período venha coroado pelas suas escolhas vencedoras. Que o seu nome seja lembrado como alguém especial que soube sorrir com as coisas belas. Escreva o seu nome no livro da vida, sendo um ser humano capaz de amar intensamente, e assim, será mais amado pelos homens, pelos animais, pelas florestas, pela natureza... Simplesmente por que você faz parte de tudo isto, e somente deste jeito, você será um Imortal!

   Dr. Marcos Calmon

CRP 05 / 32.619

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