FILHOS

X

PAIS SEPARADOS

           

Na vida, tudo tem um começo, meio e fim. Só que às vezes, o fim chega muito antes do tempo que havíamos planejado, trazendo frustrações e mágoas para todos os envolvidos nesta questão, é como se não tivesse acontecido aquele “happy end” (final feliz) do cinema e, fica faltando alguma coisa no ar, o sujeito sente que “até que a morte os separe”, na realidade não foi bem a morte do corpo biológico...

A realidade poderá ser muito cruel com as nossas fantasias e expectativas em relação ao futuro.  E quando isto acontece, é comum ver as pessoas terminarem dias e dias sofrendo devido a uma baixa tolerância às frustrações. Elas são testemunhas dos próprios castelos de areia caindo em função daquelas ondas sem graça que derrubam tudo que encontram pela frente, muitas vezes essas ondas se transformam num “tsunami mental”.

Segundo algumas pesquisas contemporâneas, feitas por um grupo de psicólogos em Haward-EUA, com casais separados, descobriu-se que a maioria dessas separações ocorreram por uma enorme falta de maturidade dos seus atores, mas que puderam aprender com os próprios erros e acertos, galgando melhores resultados dentro de um segundo ou terceiro relacionamento estável. No entanto, também há aqueles que fazem o oposto, isto é, continuam a repetir as suas incongruências em inúmeros enlaces fracassados. Percebemos, nestes casos em particular, a incidência de indivíduos mais imaturos e viciados em paixões arrebatadoras... É como se, todas as vezes que cessa o estímulo central da paixão nos primeiros meses de união, ele ou ela, sentem-se cansados da rotina a dois e buscam uma nova dose de adrenalina e serotoninas em novos investimentos, com amores passageiros, constituindo-se num terrível ciclo vicioso que os impedem de conhecer novas etapas e desafios, dentro de uma relação madura.

Mas, e quando o casal possui filhos? Está tudo bem?                                 

Cada caso é um caso especial. Mas, o fato é que para a criança, existe um mundo de fantasias idealizado por ela em contraposição a realidade vivida e, uma perda significativa de um dos seus laços afetivos projetados na figura do pai e da mãe, poderá se constituir no início de alguma questão de ordem subjetiva que poderá acarretar em sintomas que lhes acompanharão pelo resto de suas vidas, caso não haja um acolhimento dessa e de outras demandas que possam ser elencadas neste cenário familiar.

Geralmente, quando atendo crianças que, além de sofrerem com a separação dos seus genitores, também se sentem abandonadas emocionalmente por eles, é sem sobra de dúvida alguma uma situação bem mais complexa que requer cuidados e atenção especial que visam uma redução de danos a médio e longo prazo. Nestes casos, acredito que a utilização de contos infantis dentro do setting terapêutico, ajuda as crianças na elaboração das suas angústias, que de outra forma, elas não saberiam nomear, tal como os adultos. Elas passam com o auxílio de outras técnicas, em um tempo relativamente curto, a diferenciar fantasia de realidade, compreendendo melhor a questão dos pais, elaborando uma difícil dualidade vivencial, que se apresenta mais ou menos complexa, de acordo com os casos apresentados.

Os adultos possuem mecanismos de defesas psíquicos muito mais bem elaborados para lidarem com as mais diversas situações de desagregação familiar. No entanto, as crianças ainda estão em fase de desenvolvimento, é como se lhes dissessem: “O prédio está em chamas!” E a sua reação fosse apenas ficar parada sem saber o que fazer... Enquanto um adulto poderia correr desesperado para a primeira saída de emergência ao seu alcance.

Inconscientemente, a criança sabe que existe um perigo eminente, mas não tem condições de lidar com ela conscientemente e, “silenciosamente”, pede ajuda. Cabe aos pais ou aqueles que detém a sua guarda, acolhê-la com atenção, compreendendo que crianças não são mini-adultos... São diferentes... São crianças!

Dr. Marcos Calmon

CRP 05 / 32.619

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