PATOLOGIAS DA MENTE

 

É provável que, na luta travada diariamente em proveito do teu crescimento material, lidando constantemente com aquelas pessoas ditas “normais” pelos padrões sociais, aos quais somos todos submetidos, você também se considere como um indivíduo normal e sem maiores questões mentais... A não ser por uma simples cefaléia, não é verdade?

Não é à-toa que chamar alguém de “maluco,” será para muitos, a pior das ofensas verbais. No entanto, devemos nos cercar de cuidados especiais, pois nem sempre aquele sujeito que fala com eloqüência e usa um tom polido ou mais delicado, com palavras rebuscadas, fruto de uma educação primorosa, confirmada por uma voz mansa e o olhar tranqüilo, poderá ter o nosso aval e confiança arrebatados... Muito pelo contrário!

Não é raro encontrarmos em águas aparentemente calmas, correntes submarinas perigosas e fatais para os nadadores mais incautos. É preciso cautela para julgar as falsas aparências.

Um psicótico poderá cometer um crime bárbaro à noite e ser um “gentleman” durante o dia sem o menor remorso pelo ato cometido.

Quantas vezes, mesmo não fazendo uma estrutura psicótica, já encontramos na vida, um(a) anfitrião(ã) que já nos recebeu com sorrisos, enquanto, na verdade, padecia secretamente de terríveis remorsos e tormentos internos? – E você nem desconfiou.

Quantas vezes não nos comovemos publicamente com aquela bela predileção do orador, mas que no seu íntimo era corroído pelo sentimento de ódio e vingança com o seu desafeto?

Quantas vezes percebemos o sucesso profissional de amigos próximos, que julgávamos terem eles finalmente encontrado a felicidade e o equilíbrio emocional, enquanto na verdade, estavam afundando as suas mágoas em copos de bebidas alcoólicas, drogas ou na compulsão de jogar, só para fugir da insuportável realidade subjetiva que viviam?

Quantas vezes julgamos pura e simplesmente pelas aparências? Seja dos títulos concedidos, das roupas de “griffe”, das fartas contas bancárias, do rosto bonitinho, do sorriso fácil e, nos esquecemos de que as “patologias da mente” são como as indesejáveis teias de aranha de uma belíssima mansão, corroída no seu interior por vorazes traças e cupins.

Tenha muita cautela ao acreditar que está verdadeiramente ao lado de pessoas “normais”, simplesmente porque elas se apresentam como tal. As pessoas utilizam as máscaras sociais para projetar as suas ilusões nos outros. No entanto, são as frustrações que carregam no íntimo, que as impedem de serem autênticas consigo mesmas. E, desta forma, criam um mundo de fantasias a sua volta, evitando enfrentar as suas mágoas e tristezas internas.

Vivemos dentro de um imenso manicômio a céu aberto chamado sociedade moderna. Aqui, a loucura do egoísmo, a insanidade do ódio, o desequilíbrio da ganância e o delírio do orgulho nos fazem perder de uma só vez, o contato com a realidade. Que por sua vez, bastaria que tivéssemos a sensatez de ceder mais vezes para o semelhante ou, “perder” as infindáveis concorrências... Simplesmente, para ganhar a verdadeira saúde com a consciência exercitada.

Por isto, no meio de tantos enfermos buscamos a normalidade entre as nossas anormalidades mais secretas e, nos esquecemos de que somos humanos precisando de humanidade. Tratar de nossas demandas psíquicas não é ser louco! Loucura é esquecer de nós mesmos, acreditando que a sociedade de consumo vai nos suprir a carência com um produto qualquer. Enquanto na verdade, foi você mesmo que se abandonou mais e mais... Na sarjeta mental!

     Dr. Marcos Calmon

CRP 05 / 32.619

  [ VOLTAR AO INÍCIO DESTA PÁGINA ]

voltar para o menu

Site desenvolvido e criado por Image Virtual Copyright© 2006. Todos os direitos reservados