PAI  HERÓI

 

“Pai! Você foi meu herói meu bandido. Hoje é mais, muito mais que um amigo...”

Fábio Jr. estava mesmo muito inspirado quando conseguiu sintetizar em pouquíssimas palavras este universo tão rico das qualidades reais, simbólicas e imaginárias do pai. E não é para menos, pois a paternidade é um registro inconsciente de várias funções, significados e funciona como um extraordinário ponto de referência para a vida futura dos filhos. É ele quem vai intervir na relação simbiótica entre a mãe e filho trazendo novas regras e princípios (leis) preestabelecidos, segundo a teoria da psicanálise Freudiana.

Um pai “apagado” faz com que o seu filho seja semelhante com um carro que tiraram os seus freios e, se tiver alguma ladeira na frente deste carro... Saiam da frente! Enquanto a mãe simboliza a ternura inicial dos sentimentos, o pai é o representante das leis morais que serão inscritas na sua estrutura psíquica. Certamente, será ele quem vai fazer o ingrato papel de estabelecer o tênue equilíbrio entre as regras e o limite máximo permitido. A Idealização de um pai como o seu herói na infância (pois a criança quer ser como o seu pai) em contradição com o período da adolescência e da juventude com os seus valores sociais e grupais que fazem do pai um “bandido” para o filho, é um importante processo de transição para a maturidade.

Outro ponto de suma importância que deve ser lembrado aqui, é que cabe a mãe o sumo dever de apresentar o pai neste triangulo emocional para o seu filho. Ora, se uma mãe destitui o pai do seu poder, como poderá o filho se identificar com alguém, a quem, nem ela própria reconheceu a sua devida importância? E as conseqüências disto? Excessos de rebeldia, desinteresses, perversões, fugas da realidade, déficits de atenção e memória, etc. Uma vez que não se operou no filho o modelo identificatório que poderia tê-lo ajudado a atravessar naturalmente as fases do herói a “bandido” no seu desenvolvimento de personalidade com bom êxito.

Concomitantemente, é uma imensa bobagem afirmar que o pai não tem uma grande importância em relação à mãe que gerou a criança no seu ventre e o amamentou simbioticamente. Ambos possuem o seu papel psíquico muito bem definido e, caso isto não venha a ser bem desempenhado com muito amor e respeito filial, mais tarde despertarão os eventuais desequilíbrios familiares na forma de um sintoma desestruturado.

Todos os anos comemoramos no segundo domingo de agosto, o dia dos pais. Eles não têm o mesmo apelo emocional das mães, é verdade... Mas fazem toda diferença como coadjuvantes na educação e na saúde psíquica para a vida toda. Quer mais?

Ser pai é poder participar não apenas do futebol, do teatrinho na escola ou estar presente nas reuniões dos pais e ainda ser o único homem na sala para poder saber um pouco mais sobre a sua vida estudantil. Ser pai pode ser tirar vinte reais do bolso para o filho sair com a namorada, dizendo que aquela era toda a sua grana no bolso e ainda receber um beijo de surpresa do filhão. Ser pai é dar um puxão de orelha sem agredir, é um único olhar que já diz tudo e um pouquinho mais.

Enfim, somente aqueles que nunca tiveram um pai de verdade nas sua vidas é que não poderão saber o significado real das palavras segurança e proteção.

Podem chamá-lo por outros nomes como: Provedor, popozão, coroa, velho, entre tantos outros apelidos carinhosos, mas não há quem não se derreta ao ouvir uma criança sonolenta e, muito cansada levantar os seus braços para o alto e dizer balbuciando:

Papai quero colo! – E o mundo todo, neste momento, se transformar, como num passe de mágica, no lugar mais seguro e tranqüilo que existe.

Feliz dia dos Pais!

Estejam eles vivos ou não... Afinal, Pai é imortal no coração dos filhos!

   Dr. Marcos Calmon

CRP 05 / 32.619

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