VOCÊ É NEURÓTICO?

 

A pergunta pode até lhe parecer como uma ofensa, mas... você sabe mesmo o que é uma neurose?

Segundo uma pesquisa recente realizada entre os brasileiros jovens e adultos, ficou constatado que o cidadão comum, ainda associa o termo neurótico a um palavrão. É como se alguém estivesse lhe ofendendo e o taxando de maluco. Segundo o dicionário Aurélio, trata-se de alguém que “age como um alienado mental, desarrazoado, idiota, dado a esquisitices” e, por aí vai... Não é para menos que ninguém fique chateado, não é verdade?

Pior ainda, o termo neurose, já foi incorporado ao senso comum – no seu vocabulário popular – como se fosse uma espécie de sinônimo do desvario. O que não é verdade!

O conceito provém do médico escocês "W. Cullen" (1776) que para se referir a uma doença nervosa, teve que criar uma explicação anatomopatológica, daí o surgimento desta idéia heurística. E, dependendo do autor em questão, que venha fazer o uso deste mesmo termo, também haverá um ponto de vista teórico diferenciado. Por exemplo, Freud ao fazer o uso deste vocábulo através da sua teoria psicanalítica, afirmou que a neurose é uma resistência inconsciente e, o sintoma neurótico propriamente dito, é apenas uma mera expressão dos conflitos psicodinâmicos internos do sujeito, em total concordância com o seu constructo teórico, entendeu?

Vamos simplificar um pouco mais este conceito? Afinal de contas, o neurótico não é necessariamente alguém que anda por aí, rasgando dinheiro ou correndo pelado pelas ruas, através da multidão e para estereotipar mais ainda, gritando: Independência ou morte! Definitivamente, não!

O neurótico é basicamente um sujeito que viveu um trauma ou um conflito muito dolorido, é alguém que  passou a perceber a realidade como algo muito difícil de viver e que tem que lidar com isto. Portanto, a pergunta que surge no inconsciente do neurótico, é:

 

“Como posso continuar vivendo conscientemente o meu dia-a-dia? Qual é a solução para o meu impasse existencial?”.

 

Neste caso, toda estrutura psíquica do sujeito, vai tentar encontrar uma saída para "esquecer" o tal episódio doloroso (conscientemente). Com isto, o inconsciente, encaminha este elemento indesejável, da sua consciência para o inconsciente e, depois manda-o de volta para a "consciência" na forma de um sintoma psíquico ou somático qualquer (ver psicossomático). Será uma conseqüência direta ou uma resposta da repressão incompleta.

Os grupos de neuroses mais triviais são as compulsivas e as traumáticas. Já os sintomas, estes se apresentam mais comumente, sob as formas clínica das neuroses de angústia, histeria com neurose de conversão e reação dissociativa (atualmente temos o quadro clássico de anorexia ou bulimia), estados fóbicos (medos irracionais), despersonalização, hipocondria, neurastenia, repetições, delírios (perseguição, ciúmes, grandeza, etc), transtornos de estresse pós-traumático, entre outros estados neuróticos não relacionados aqui.

A Organização Mundial de Saúde (O.M.S.) das Nações Unidas, já classificou as neuroses como as patologias mais incidentes sobre a população mundial, sendo portanto, um caso de saúde pública a ser tratado com muita seriedade e respeito por todas as autoridades.

Mas... E você? Tem se tratado com todo o respeito e seriedade que merece? Como anda a sua saúde psíquica? Será que a farmácia da esquina tem mesmo aquela pílula mágica para o seu problema invisível? Até quando você vai anestesiar aquela sua dor e esquecer das suas questões subjetivas?

Conseguiu responder com sinceridade a algumas dessas perguntas acima? Ficou surpreso com a sua resposta? Melhor ainda! Isto significa que você ainda é capaz de se surpreender consigo mesmo, continue assim. Mas com atitudes sempre positivas, afinal, um braço quebrado e engessado, todo mundo vê e pode doer bem menos do que algumas poucas horas com as suas neuroses que ninguém enxerga, nem mesmo você. Pense, reflita e cuide-se!

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       Dr. Marcos Calmon

CRP 05 / 32.619

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