QUEM TEM

MEDO DA MORTE?

 

Nascer e morrer. Eis a lei da vida!

Mas... Tem muita gente boa por aí, assombrada com estes pensamentos mórbidos que, podem crescer exponencialmente dentro de um quadro neurótico clássico, levando o sujeito a ter uma enorme quantidade de experiências bastante desagradáveis e com contornos de obsessão paranóica.

A sociedade já produziu centenas de livros e filmes que tratam à morte como algo pavoroso e lúgubre, com o auxílio dos recursos multimídias, produzindo um saber acerca da morte que extrapola o campo da realidade imediata. Seja a morte como um ícone de sofrimento maior na forma da dor, expiação, portal de suplícios eternos ou um caminho para o paraíso... O fato é que a morte é acima de tudo um evento natural, que precisa ser submetida a uma nova ótica do sujeito mortal, que poderá constatar neste ritual de passagem, o alívio certo para o seu corpo envelhecido, às vezes doente, cansado e porque não dizer, é o ápice da dicotomia filosófica: vida x morte.

Os animais desenvolveram um instinto de sobrevivência e os seres humanos, segundo Freud, a pulsão de vida! É natural que haja um desejo saudável pelo viver, desde que a morte possa ser encarada como um processo natural sem hora marcada, e que um dia poderá ser muito bem-vinda para nos aliviar do pesado fardo da vida que sofre progressivamente com a ação do tempo ou para desligar um corpo que já não suporta mais as agressões de inúmeras patologias... Tudo depende do momento vivido, aquele que tem medo da morte, poderá estar revelando um medo muito maior da própria vida!

Um sujeito saudável vive o aqui-e-agora com alegria e esperança no futuro, não tem tempo para perder com este culto ao cadáver. Morremos todas as noites ao dormir e, as nossas células se renovam num ritmo tão alucinante, que renovamos todo o tecido corporal, ao ponto de adquirirmos um corpo novinho em folha no decorrer de uma vida, e nem nos damos conta disto!

O grande problema não é morrer, mas viver bem. E isto significa fazer a diferença, deixando um legado de vida para as gerações que virão pela frente. Para isto, não é preciso descobrir a penicilina, inventar o avião ou ser uma espécie de super-homem, não! Basta fazer a parte que lhe compete no jogo da vida, mesmo que seja varrer a calçada todos os dias, acredite, todos lembrarão de você quando tiver partido e, a calçada estiver cheia de sujeiras. Com certeza, dirão: “Pois é... se fulano estivesse vivo, esta calçada não estaria abandonada desse jeito...” Pronto! Você já fez a diferença e a morte o tornará imortal (desculpem-me o paradoxo), mas... é assim mesmo que as coisas são! Ninguém lembra de alguém que nunca fez a diferença, e isto não representa uma idéia pré-concebida de fama e glória, que a sociedade provavelmente já construiu na sua mente. Não! Isto é uma falácia que induz ao erro e, conseqüentemente, a frustração (nada contra as frustrações, elas também fazem parte da vida), mas é algo lamentável observar que tantos ainda não sabem reconhecer o verdadeiro valor das pequenas coisas. É triste ver milhares de "Dom Quixotes" por aí guerreando com moinhos de vento... Enquanto há tantas coisas por fazer, são vidas mortas! Seus inconscientes as fazem sofrer por antecedência, somatizam diversos sintomas, enquanto seus órgãos biológicos deveriam estar funcionando perfeitamente bem. São aqueles que costumo chamar de “zumbis” com boa aparência externa, pois nunca aprenderam à verdadeira lição do ciclo da vida, que nos diz o tempo todo:

“Viver é a arte de morrer a cada dia, que por sua vez, também morre com o sol do entardecer, para nascer com todo esplendor em um novo e belo alvorecer”.

Em outras palavras: Todos os dias, ainda é tempo para você renascer e viver na plenitude das suas possibilidades limitadas, mas com a escolha de poder estar sempre se reinventado em cada experiência de perda ou morte que, provavelmente no próximo ato, haverá vida e ganhos.

Pense nisto, e viva o jogo da vida com mais coragem!

 

       Dr. Marcos Calmon

CRP 05 / 32.619

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