MEDITAÇÃO

           

Certamente, você já ouviu falar sobre "meditação" em algum momento da sua vida. Mas, você sabe realmente o que isto significa? A princípio, lembramos quase imediatamente dos monges budistas ou um daqueles sacerdotes orientais, não é mesmo? Algo muito distante da nossa realidade e cultura. No entanto, a meditação sempre esteve transvestida entre nós, em momentos muito sublimes, como por exemplo, na antiga prática da oração ou nos retiros espirituais de grupos ou indivíduos.

            Na verdade, os problemas maiores, foram os preconceitos e os estereótipos construídos sobre a nossa subjetividade ideológica, alicerces de uma sociedade de consumo explicitamente materialista. É preciso uma desmistificação urgente, daquilo que transcende a concepção clássica da visão cientificista no paradigma cartesiano. Em outras palavras, precisamos das tão faladas ”micro-revoluções” Focaultiniana,(como este humilde artigo sugere) para alcançar resultados benéficos e ao mesmo tempo,  imprevisíveis no crescimento social e pessoal do homem.

            A meditação propriamente dita, ainda que praticada sob diferentes técnicas, produz em nossa mente, um agradável estado psíquico, com um relaxamento físico, agradabilíssimo. Infelizmente, a sua prática ortodoxa, aparenta ser algo distante para algumas pessoas. Enquanto, para outras, se apresente muito próximas... Tal contraste se explica pela imensa ignorância, ainda existente sobre o assunto. Desta forma, nos faz-se mister, a sua urgente compreensão.          

            Quero lembrá-los, que este saber, não foi baseado em qualquer tipo de crença religiosa, mas, sobretudo, em conhecimentos milenares, adquiridos pela raça humana através dos tempos. Este mesmo homem que, sempre buscou respostas imediatas para perguntas tão complexas como: “Quem sou eu?” Mas, em tão poucas oportunidades, obteve resposta tão esclarecedora.

            Meditação é a paradoxal simplicidade do complexo. Meditação é simplesmente a arte da busca interior ou da essência superior. É um estado de ligação com o universo maior ou, com o nosso próprio micro universo. É, a consciência de que somos parte de algo gigantesco, como o cosmo, e que, só poderemos sentir esta vibração cósmica, quando pudermos nos libertar dos atavismos materiais, com o quais, nos encontramos escravizados sob a égide das percepções e sensações dos cinco sentidos, atrelados aos ditames dos órgãos e das vísceras.

            O corpo psíquico necessita projetar a própria consciência para campos mais sutis da existência, permitindo-nos com isto, acessar os conhecimentos guardados nos escaninhos do inconsciente, tão estudado pela psicanálise e pela psicologia moderna.

Na Gestalt-Terapia, consideramos a idéia de um todo em constante relação com as suas partes. Fato que ao meditar, contribuímos potencialmente, para que esta interação conosco seja mais completa, de tal forma que, a fragmentação do ser, torne-se menor e conseqüentemente, muito mais suportável.

            Segundo o Aurélio, meditar é submeter-se a um exame interior; é pensar, é estudar, ponderar, considerar, projetar, intentar, planear, planejar ou refletir. Em nosso caso, seria exatamente o oposto disto, ou seja, é o não pensar, é esvaziar a mente, é não planejar, é deixar simplesmente que as águas no leito do rio, nos leve em seu curso, que é sábio pela própria natureza.     

O corre-corre da vida nas metrópoles, desde o recente séc. XX nos tem cobrado um alto custo, por um perigoso estilo de vida moderna, sinalizado com o agravamento dos estados de estresse, depressão, ansiedade e angústia existencial na população. De fato, percebemos que o sentimento de inferioridade do homem é cada vez maior, somente a busca através dos caminhos do imponderável, é que nos permitirá descobrir que ainda temos escolhas e responsabilidades, com infinitas possibilidades.

            Meditação é sinônimo de introspecção. É deixar de lado os problemas, sem ter que abandoná-los de fato (afinal, também precisamos deles para crescer). É buscar internamente as soluções escondidas em nosso subconsciente. Tal prática se assemelha um pouco com os processos de hipnose, porque também não deixa de ser uma auto-hipnose, afinal é onde o indivíduo canaliza forças para o seu mundo interno, trazendo equilíbrio que faltava, eliminando as desarmonias, com o princípio básico do relaxamento e da focalização na respiração.

            Não existe meditação sem a respiração profunda. É expirando e inspirando o ar lentamente, que o processo ocorre. Respirando cada vez mais lentamente (quase parando) e, prestando uma atenção especial ao seu processo de respirar. Parece muito simples, não é verdade? E, é mesmo!

            A meditação pode e deve ser praticada, deixando o corpo na posição horizontal, mas há quem prefira a vertical, sentando-se no chão, nos sofás ou sobre as almofadas, isto não importa! Mas, lembre-se de deixar sempre a parte superior do corpo ereta (no caso de estar sentado), pois o praticante, deverá manter os braços soltos sobre os joelhos e apoiar-se tranqüilamente sobre eles.

Com os olhos fechados suavemente, mantenha a cabeça erguida junto com o seu corpo, isto é, mantendo a posição vertical do pescoço (para aqueles que escolheram estarem sentados). Não importa se as suas pernas estarão cruzadas ou esticadas, a melhor forma é a do seu conforto, a posição de lótus, é uma escolha pessoal.

A inalação de ar na respiração inicial tem a finalidade de superativar em nossos pulmões a oxigenação do sangue, que irá ao cérebro, para que ele possa responder melhor ao processo de meditação que se inicia.

            Durante todo o processo, poderemos colocar uma música bastante suave, para harmonizar o ambiente, sobrepondo-se aos sons inconvenientes. Mas, é importante não criar uma relação de dependência com esta música, uma vez que a meditação também poderá ser praticada em ambientes barulhentos ou silenciosos, é tudo uma questão de prática e autocontrole.

            A meditação aumenta muito, a nossa capacidade de percepção, ampliando os campos perceptivos. Não foi à-toa que vários pesquisadores, observaram que as pessoas submetidas a este processo, adquiriram maior facilidade de recordar fatos passados, auxiliando muitos psicólogos no trabalho terapêutico de localização dos fatos traumáticos, na vida dos seus pacientes.

            Entre tantos benefícios, a grande aquisição obtida na prática da meditação, é sem dúvida nenhuma o autoconhecimento. Ele nos facilita promover uma auto-estima mais duradoura. Afinal, o amor necessita surgir em nosso íntimo como uma pequena chama de luz, aliás, tudo começa dentro de nós, como afirma atualmente a física quântica.

Quando passamos a nos amar de verdade, as pessoas e as coisas também começam a nos amar, originando um processo real na troca do amor, criando-se uma corrente invisível de solidariedade universal, onde tudo está interligado no universo.

            Meditar é deixar a respiração prosseguir no seu curso normal, observando a entrada do ar pelo nariz e a sua saída pela boca como algo único e primordial. Caso ocorra qualquer pensamento aleatório ou qualquer imagem vier para a sua mente, não tem problema, isto significa que você se distraiu (fato comum com principiantes). A regra número um, é voltar imediatamente a observar a entrada e a saída de ar, como se nada tivesse acontecido.

O meditante novato necessita ser iniciado com a prática de apenas 1 minuto no primeiro dia.  No sétimo dia poderá praticar 2 minutos. No décimo quarto dia poderá ampliar para 5 minutos até o trigésimo dia de prática disciplinada nos horários escolhidos.

Após trinta dias, poderá ampliar para 10 minutos. Quando completar dois meses ou sessenta dias contados, o meditante estará apto para praticar 15 minutos ou mais. A partir deste ponto, a escolha será pessoal, podendo variar muito de indivíduo para indivíduo. Não aconselho os excessos, pois qualquer coisa em demasia é nefasta para a saúde. Os praticantes veteranos que praticam vinte minutos diários, já obtêm grandes benefícios, com a possibilidade de não comprometerem os seus afazeres.

            A meditação proporcionará ao corpo físico, um repouso mais profundo e reparador, deixará a sua mente mais ativa, a pressão sangüínea ficará equilibrada por muito mais tempo com a conseqüente diminuição do ritmo cardíaco, favorecendo uma sensível baixa nos níveis de estresse nocivo. Com certeza, a meditação representará um reforço sem precedentes no seu sistema imunológico, protegendo-o de doenças contagiosas e fortuitas presentes no meio ambiente.

            E, finalmente, você encontrará o que muitos não conseguiram lograr êxito em vidas inteiras. A paz interna, o equilíbrio das emoções e a vontade de viver plenamente o “aqui-e-agora”. E então, será que vale a pena tentar?

Dr. Marcos Calmon

CRP 05 / 32.619

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