CONSTRUINDO A

MATERNIDADE

 

Não é raro escutar alguém dizer: “Ser mãe é padecer no paraíso” ou essa: “mãe é a rainha do lar”. Gosto muito dessa aqui: “O amor de mãe é eterno!” E, por aí vão inúmeros rótulos do papel de mãe na sociedade moderna. Mas, o que é mesmo ser mãe? Basta alguém do sexo feminino dar à luz para uma criança e, a natureza materna fará o resto? Quem sabe... existe uma espécie de “instinto materno”, não é? Mas neste caso, penso no instinto dos pobres jacarés, leões e outros animais que, literalmente, comem os seus filhotes, e nestes casos em particular, o instinto animal poderá não ser muito indicado para a saúde da cria que foi devorada.

Segundo Freud, para os humanos não existe a idéia de “instinto”, o que há mesmo é uma pulsão de vida ou morte para as criaturas da fala (nós). O amor materno é algo aprendido na cultura através da transmissão oral, são os atravessamentos midiáticos e institucionais que nos levam a crer em estereótipos que sempre beneficiam de alguma forma o poder pré-existente, geralmente, oriundos de alguma ideologia social.

Na verdade, o sentimento materno são trocas afetivas necessárias no âmbito familiar para dar suporte à prole legítima do casal. Antes da primeira gestação, a mulher possui uma relativa noção de liberdade e uma certa independência – que são abaladas pelas novas responsabilidades assumidas com o advento da maternidade, gerando conflitos de toda sorte, seja no âmbito profissional, emocional, ou conjugal, não importa! É um período de mudanças com perdas e ganhos para a mulher.

Segundo Philippe Áries, “A família moderna corresponde a uma necessidade de intimidade... pelo sentimento...” imposta pelos padrões burgueses, diferentes do distanciamento afetivo caracterizado pela vida nos séculos anteriores, onde não havia muitos dos conceitos comuns na atualidade e, já absorvidos pela imensa maioria das pessoas, como algo “natural” em nossa espécie.

Compreender a maternidade só é possível para nós, uma vez que também seja possível para o casal compreender o papel real da mulher complementando o homem e vice-versa. Ser mulher não é estabelecer uma guerra sexual baseada na idéia de supremacia, que pode facilitar a equivocada idéia de perda ao se assumir o papel de mãe. Mas é sem dúvida alguma, a compreensão de uma função estratégica, capaz de reunir toda a delicadeza e sensibilidade do arquétipo feminino em parceria com o masculino na construção e na perpetuação da vida humana sob um viés mais responsável e direcionador na esfera social.

Construir uma maternidade digna e responsável é um avanço para as famílias modernas que estão decididas a compartilhar suas alegrias e tristezas dentro de um ambiente mais controlado, protegido e ancorado chamado família. Desempenhar a função de mãe é conhecer a sua própria individualidade em consonância com os demais a sua volta, é estabelecer parâmetros de amor filial com o bom senso. Trazendo o importantíssimo papel do pai que vai estruturar esta relação com os devidos limites e leis necessárias para se fechar uma boa configuração familiar.

Mãe é um alicerce para toda a vida da cria humana. Mãe é o primeiro porto seguro para as novas “naus” que ancoram timidamente no porto da vida. Mãe é uma escolha pessoal e intransferível. Ser mãe é algo que somente as mulheres que se transformaram em “gente grande” serão capazes de descobrir na sua real plenitude simbólica e imaginária os atributos de ser verdadeiramente mãe para alguém.

Por isto, um feliz dia das mães para todas vocês, amorosas guerreiras da vida!

 

   Dr. Marcos Calmon

CRP 05 / 32.619

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