CHEGOU O LUTO!

O QUE É QUE EU FAÇO?

    

Segundo "William Dilthey", um famoso filósofo, historiador e crítico literário alemão, que também foi precursor da fenomenologia, nos afirmou com veemência:

 

 "A vida é um valor, e é a morte quem ratifica esse valor, se não fora a morte, como poderíamos valorar a vida?"

                                                                                                                       (Reflita sobre isto!)

 

Neste artigo, caro leitor, não estou me preocupando com a morte biológica. Mas, principalmente, com os sentimentos das perdas. E, falar de perdas é o mesmo que refletir sobre o apego. E, com o que nos apegamos? Com o desconhecido ou com aquilo que convivemos rotineiramente? Não precisa ser um gênio para responder a esta questão, mas ela nos remete a nossa verdadeira condição de seres humanos perecíveis, com uma espécie de "prazo de validade", não há como fugir disto!

Infelizmente, não é a razão que nos fala durante uma amarga separação daqueles que amamos, mas a fantasia de que nunca os perderemos... Por quê? O fato é que não importa a idade, mas queremos ganhar sempre! (seja lá o que for...)

Há quem diga que este medo é "natural"... Para mim, natural mesmo é morrer! Em outras épocas, a morte era vivida na idade média ou mesmo na antiguidade, sem culpas e aguardada como um final honroso para uma vida digna (de acordo com a cultura), e olhe que naqueles tempos a morte ceifava a maior parte da população entre 30 e 40 anos de idade!

No mundo moderno, vivemos mais tempo, é verdade! Mas... Aprendemos a nos apegar mais ainda a essa tal "propriedade privada" com unhas e dentes e, não percebemos a nossa conduta silenciosa do velho “ter”, em detrimento do “ser”, em relação a quase tudo. Negamos a morte como quem repudia um ladrão inescrupuloso, que a qualquer momento poderá nos atacar. É um imenso paradoxo existencial falar sobre a angústia da perda eminente e inexorável, aquela que nos assola desde o nascimento sob diversas formas.

Lembro-me de uma passagem de Freud, quando ele afirma que “destituímos a morte do caráter de necessidade” e... Passamos a viver uma espécie de faz-de-conta, fazendo-nos recalcar a idéia de nossa finitude biológica, criando um impasse para a vida ou um sintoma qualquer.

Desde a infância, aprendemos a fugir do inevitável com os nossos pais, com os nossos parentes, com os amigos, a mídia e até com algumas religiões, que parecem valorizar mais o corpo do que o espírito. (... estranho não?)

A psicologia sabe que ninguém nasce com medo da morte, desenvolvemos este pavor no decurso dos anos em uma sociedade que se apresenta sempre jovem e moderna para os seus padrões de consumo.

Na verdade, morremos todos os dias com um sono que parece nos preparar para o “sono mor”. Re-significamos nossas práticas com a menor das suspeitas de uma aproximação para esta hora fatal. Basta um mínimo presságio, para que o homem comece a deixar a sua "máscara social" cair.

Conta o diário de bordo de certa empresa aérea, que um casal que viajava feliz no mesmo avião, ouvira o súbito aviso do comandante: "Senhores passageiros, apertem os cintos, pois a nave está sobre fortíssima turbulência e perderemos altitude considerável... mantenham-se calmos até o fim...". O homem estupefato olhou para a esposa e, logo confessou todas as suas façanhas extraconjugais. O que de pronto a esposa também não se fez de rogada, dizendo-se também arrependida, pois havia feito o mesmo com a maioria dos seus amigos pessoais. Durante alguns instantes, ambos se confortavam amorosamente, até que o comandante voltou dizendo: "Senhores passageiros! A turbulência já passou, podem soltar os cintos!". E naquele momento, a turbulência começou mesmo, foi dentro do avião, com terríveis juras de morte daqueles infelizes protagonistas.

            Assim é a maioria de nós, vivendo duas vidas, uma imortal e a outra mortal. Escolhemos a fantasia da imortalidade como os nossos super-heróis de criança, aqueles que nunca morrem ou envelhecem de verdade (pois são apenas personagens).

            A vida está sempre buscando uma saída para nos permitir viver a dor e a tristeza da perda. Cada um de nós vai processar esta experiência à sua maneira. Você pode até responder o luto com depressão... Mas, também pode responder com muita compreensão... Qual será a sua escolha quando esta hora chegar? Ou prefere ser surpreendido? Reflita ao menos um pouco e seja feliz!

   Dr. Marcos Calmon

CRP 05 / 32.619

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