JOÃO E MARIA

PÓS-MODERNO

 

Quem nunca ouviu falar no seu tempo de criança, sobre um conto que nos falava sobre um país imaginário, onde um casal de lenhadores vivia com os seus dois filhos? Sendo ela - uma madrasta - sem amor pelas crianças, (o tal estereótipo, que já vem construindo a má reputação das "madrastas malvadas" desde tenra idade).

Bom... Até que um dia, os preços das mercadorias subiram demais por aquelas bandas (alguma semelhança com o nosso Brasil?). Pois é... Nesta estória infantil, as coisas foram piorando... piorando... Até que a mulher teve uma terrível idéia para diminuir as despesas familiares. Algo muito simples para ela, do tipo: “Abandonar as crianças no meio da floresta”. Segundo a “estorinha”, o pai ficou com o coração partido, mas... Acabou mesmo, foi aceitando a péssima sugestão da companheira. O chato é que as mulheres também acabam vestindo um estereótipo, lembra-se de Adão e Eva? Quem foi que teve a brilhante idéia de comer a maçã proibida? (Abafa o caso!).

Nesta estória em particular, já deu para você perceber que estamos falando do conto de fadas de João e Maria na ficção, não é? E, em nosso mundo real?

Também não assistimos a notícia de Suzane Louise Von Richthofen? Aquela jovem de 19 anos, acusada de matar os pais enquanto dormiam através do seu namorado com a ajuda do seu irmão, um caso clássico de parricídio. E aqueles casos, que não alcançaram o burburinho da mídia, mas estão presentes nos inquéritos menos famosos, onde os pais matam filhos vencidos pelas drogas ou filhos que matam seus pais simplesmente para tomarem posse de suas heranças de família, em alguns casos, atemorizados por credores do tráfico ou agiotas violentos que os levam a cometer inúmeros crimes para saldar suas dívidas... Entre centenas e milhares de casos como esses que recheiam os folhetins policiais e sensacionalistas da mídia especulativa, o que mais terá chamado a nossa atenção (pela super-cobertura e visibilidade dada, é claro!), é o caso da menina Isabella que foi arremessada pela janela do seu quarto, supostamente pelo seu pai e madrasta, que obviamente dispensa maiores comentários. 

Com certeza os irmãos Grimm não estavam fazendo futurologia, mas o conto de fadas pareceu nos apontar o caos que nos encontramos na atualidade. Seja a partir de um ponto determinado, onde a desagregação dos laços familiares, sociais e espirituais estão bastante presentes na mente perturbada do homem moderno. Ou, nos sentimentos de ira, medo, revolta, ganância, ciúmes, egoísmo e orgulho, compõe uma classe inferior de sensações e comportamentos que induzem a prática de crimes com extrema naturalidade e frieza, envolvendo psicodiagnósticos de perversão psicótica na grande maioria desses acontecimentos sombrios.

Convido pais e filhos para uma reflexão de nossas práticas como educadores e educados. Vivemos numa sociedade capitalista com a sua filosofia neo-liberalista que pretende transformar todas as relações humanas em consumismo superficialista, que visa apenas os lucros e nada mais. Mais uma vez questiono, será que vale a pena o “ter” em detrimento do “ser”? De que adianta conquistar o poder em classes mais abastadas, se nos tornamos cegos ao sofrimento das classes inferiores que nos avizinham o tempo todo. De que adianta fortunas, cargos, sonhos de consumo e tudo mais, se não somos capazes de enxugar a lágrima de uma criança que sofre?

Corremos de lá para cá em busca de quê? Queremos ganhar e ganhar mais, fugindo da inexorável realidade, que nos obriga a perder tudo aquilo que ganhamos ao longo de nossas vidas, como aquelas migalhas de pão deixadas por João e Maria na floresta,  em busca de retornar ingenuamente para o seio de uma família (lar) psiquicamente doente.

Será que a boneca da moda ou o carro "hi-tech" que você pode dar para os seus filhos, serão mesmo capazes de tamponar os gritos alucinantes da culpa indesejada que lhe projeta exatamente para o lado oposto?

Tomara que o seu e o meu conto de fadas tenha o desfecho que idealizamos!

Mas, se não for assim, (e, geralmente não é) significa que já está mais do que na hora de encararmos frente à frente esta temida realidade com nossos familiares, que nos chamam a responsabilidade e, provavelmente, está bem longe deste tal final feliz.

Sem escolhas e sem trabalho!

Dr. Marcos Calmon

CRP05 / 32.619

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