MEU FILHO TEM

HIPERATIVIDADE?

 

É muito comum o meu encontro com mães, onde posso vê-las chegar com esta célebre pergunta na ponta da língua. Percebo que para algumas, o prosaico termo lhes sugere algo bem mais chique e elegante, mas... ao contrário do que parece... A hiperatividade é um transtorno que passa muito longe do glamour que algumas imaginam. Visto que nos casos corretamente diagnosticados, é um sintoma psico-neurológico que acomete muitas crianças e, para o espanto de muitos, os adultos também podem sofrer desta aceleração do ritmo da vida, isto quando não tiveram o diagnóstico correto no período da infância.

Geralmente, quando falamos de hiperatividade, estamos nos referindo aquelas crianças extremamente inquietas que buscam muitas atividades e, não dão conta de nenhuma delas ao mesmo tempo. São marcadas pelo excesso de excitação emocional e uma nítida desorganização nas suas atividades. Segundo o DSM-III (Manual Diagnóstico e Estatístico das Doenças Mentais da Associação Psiquiátrica Americana), podemos nos referir a este sintoma pela sigla TDAH (Transtorno do déficit de atenção) que pode vir associado ou não com a hiperatividade propriamente dita.

Independente das questões biológicas implicadas nesta controvérsia da hiperatividade, vale a pena lembrar que, estes indivíduos estão nos sinalizando com uma intensa necessidade de poder interagir com o meio ao seu redor, eles precisam de uma atenção especial que lhes proporcionem uma oportunidade de expressar as suas emoções em desalinho. Muitas vezes, os sintomas de desatenção e impulsividade está muito mais relacionado com a sua falta de espaço na família, onde muitos pais vivem bem mais preocupados com as suas carreiras, vidas sociais intensas e pensam que os “outros” poderão lhes substituir na missão de criar os seus filhos. E, para piorar este quadro caótico, eles querem aliviar a “culpa”, enchendo as crianças com brinquedos inúteis, que logo aparecem quebrados ou abandonados como um silencioso protesto dos pequeninos.

Dependendo do nível de transtorno de déficit de atenção/hiperatividade, será necessário uma intervenção multidisciplinar, com uma ação pontual do psicólogo na psicoterapia com a criança ou com o adolescente, além da ação do médico neurologista com uma dose adequada do medicamento correto (caso seja necessário), será bem-vinda a intervenção pedagógica do professor, reforçando conteúdos didáticos e utilizando técnicas mais apropriadas para estimular o seu interesse, enfim... Cada caso, implica em ações peculiares e fundamentais para o sucesso do tratamento que poderá envolver toda a família em questão.

A maioria das pessoas preferem fingir que não há nada de errado e deixam a questão evoluir silenciosamente. Mas, quando se tornam adultas, vêem as suas vidas tumultuadas no campo profissional, nas suas relações afetivas, nas suas escolhas pessoais e, acabam se isolando completamente, acarretando em um verdadeiro engavetamento de situações mal resolvidas que levam a uma triste história de erros e fracassos pela vida afora.

É responsabilidade dos pais cuidarem para que a vida emocional dos seus filhos seja tratada de uma forma especial e com muito respeito, seriedade e amor. Não se trata de “frescura” como alguns trogloditas ainda acreditam, mas de uma demanda psicológica mal interpretada pelos leigos. A hiperatividade ou o déficit de atenção pode e deverá ser tratada desde cedo, para que no futuro não venhamos a culpar o adulto mal adaptado na sociedade com críticas e zombarias. No mundo de hoje, ser pai e mãe não significa apenas dar casa, comida e roupa lavada, significa ser responsável pela saúde física e mental destes pequeninos seres que surgem na vida dos casais com o firme propósito de nos levar a crescer e, também... nos levar a aprender com eles!

   Dr. Marcos Calmon

CRP 05 / 32.619

  [ VOLTAR AO INÍCIO DESTA PÁGINA ]

voltar para o menu

Site desenvolvido e criado por Image Virtual Copyright© 2006. Todos os direitos reservados