VOCÊ QUER PARAR DE FUMAR?

A pergunta pode até parecer repetitiva, mas é condição “sine qua non” para o início de qualquer tipo de tratamento contra este inimigo público nº1 da saúde, que mata cerca de 5 milhões de pessoas por ano, isto segundo as estatísticas mais otimistas dos órgãos Internacionais. Em particular, acredito que o fumo e a bebida são os vícios mais difíceis para serem combatidos, e não é à-toa que as suas vítimas enfrentam serias dificuldades para se verem livres das garras destes vilões lícitos pela sociedade.

Infelizmente, ainda tem muita gente achando que poderá abandonar o vício de fumar a qualquer momento... Simplesmente, usando aqueles remédios mágicos, tais como o uso de adesivos, goma de mascar ou “sprays” nasal de nicotina, que prometem liberar o viciado do trabalho real e responsável nesta decisão fundamental para a sua vida. Tais métodos são até eficientes, mas o fumo não tem apenas um lado bioquímico com centenas de venenos, entre eles, a nicotina que age sobre o cérebro, estimulando um neurotransmissor chamado serotonina, responsável pela sensação de prazer. Em contrapartida, também há outro neurotransmissor chamado noradrenalina que vai regular posteriormente, um fenômeno conhecido no meio científico, como “síndrome de abstinência”, neste mesmo lado biológico da questão.

O problema, é que na outra face desta mesma moeda, ainda restará a traiçoeira “dependência psicológica”, que poderá levar por água abaixo, todos os progressos obtidos anteriormente com uma simples recaída. Então, o que nos resta fazer?

Calma! Estamos falando de seres humanos e, precisamos ter sempre em mente que os nossos comportamentos também são regidos pelo afeto, isto é, pela emoção! Vivemos em cidades repletas de gente, mas a verdade é que apesar de estarmos na multidão, vivemos uma solidão existencial! Logo, o cigarro é visualizado pelo fumante como um companheiro fiel dos momentos difíceis, é  como se na abstinência, lhes faltassem aquelas “rodinhas da primeira bicicleta”, lembra-se? E o medo de cair, o fizesse se recolher, protegido em seu mundo interno, através do cigarro.

Como você pode ver, não é apenas uma questão de tomar ou não os remédios. É necessário elaborar as formas de pensamentos do fumante, do contrário ocorrerá aquela velha história que já conhecemos das recaídas, e geralmente, quando tudo parecia já estar resolvido... E isto, gera uma terrível sensação de impotência e frustração, debilitando cada vez mais o fumante  com o sofrimento da dependência psicológica.

João (nome fictício) era um jovem paciente que se encontrava exatamente nestas condições em meu consultório para ser atendido. Para ele, não adiantava fazer4 mais nada e, fumar era a sua única resposta condicionada, algo que já conhecia para “combater” a sua ansiedade associada a uma leve depressão. Durante as sua sessões de psicoterapia associada com Hipnose Ericksoniana, ele sempre chegava as mesmas conclusões, do tipo: (...)”o cigarro não vai me trazer prejuízos agora”, (...)”por um lado eu quero parar de fumar, mas por outro”, (...) E assim se desenrolava uma teia de sentimentos jopo0stos, que no fundo pedia mesmo era para deixar as coisas como elas estavam acomodadas.

Até que um dia, a sua parte que desejava parar de fumar acabou vencendo esta batalha psíquica e João, viu-se livre do fumo, através de um magnífico trabalho multidisciplinar, onde até alguns exercícios físicos passaram a fazer parte do seu programa de restabelecimento. Levando João a conectar-se novamente com os seus recursos internos e externos.

Comentários à parte, todo e qualquer processo, só poderá ser iniciado de verdade com as únicas palavras mágicas que eu já conheci até hoje nesta profissão.

“Eu quero parar de...” – O resto é pura conseqüência!

   Dr. Marcos Calmon

CRP 05 / 32.619

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