PSICOLOGIA

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DINHEIRO

    

     Outro dia desses, eu estava atendendo a comerciária M.D., quando ela havia chegado no meu consultório, com uma forte crise de depressão. Tinha descoberto que sofria de hipertensão arterial e de diabetes melito.

“Desde que fui afastada do meu trabalho, a minha vida tem piorado cada vez mais”. Disse ela, em tom de desabafo.

     A relação entre o dinheiro e a saúde emocional, aparentemente, parece ser algo intrínseco, porém, não é tão direto como poderíamos imaginar. Mesmo porque, também tenho atendido pessoas com uma excelente situação financeira, mas com a situação psicoemocional, muito semelhante. Cada sujeito, dependendo de como foi construída a sua subjetividade, apresenta uma forma diferenciada de lidar com o dinheiro.

Para alguns, a perda de “status” com a queda do poder aquisitivo, pode ser uma sentença de morte, associada aos preconceitos de idade no mercado de trabalho, que tornam crítica a realocação dos profissionais com mais experiência, porém, com o paradoxo agravante do processo de velhice.

     Para outros, esta mesma perda de “status” e de ganhos, pode ser encarada de outra forma, levando-os a buscar novas alternativas de atuar no mercado. Podendo nesta oportunidade, dedicar-se um pouco mais às atividades pessoais como, por exemplo, exercitando o seu corpo e a sua mente, através de inúmeros projetos sociais, disponíveis de forma acessível em locais como o SESC e outras instituições de apoio ao cidadão.

     Mas, a relação do homem com o dinheiro sempre foi controversa e marcada pelo ideal da “riqueza fácil” e, porque não dizer, irracional. Estereótipos como o “Tio Patinhas” produzido pela Disney constroem uma ideologia capitalista, que associa a felicidade com a quantidade de numerários. O sonho inconsciente e utópico de nadar em dinheiro, tal como o personagem infantil, é o alicerce desta verdadeira torre de Babel.

     Vivemos sob a égide da sociedade do capital. As pessoas são medidas pelo seu cartão de crédito e isto tem um efeito avassalador nas relações humanas. As pessoas não são apenas números na multidão, mas seres humanos que demandam atenção especial aos seus desejos e necessidades reais.

     Atualmente, a sociedade enfrenta graves crises de segurança pública pela falta de infra-estrutura que garanta as populações carentes um maior acesso ao trabalho honesto e digno, garantindo os seus direitos básicos e constitucionais como saúde básica, moradia, alimentação e educação. Fato desagregador das emoções, matrizes de ansiedades e angústias, arautos de diversas psicopatologias.

     No entanto, os abastados não sobrevivem livres dos estilhaços projetados para todos os lados. Tenho comprovado na prática clínica, que as neuroses urbanas, também se alastram entre os mais favorecidos. Vivem constantemente entre os medos fóbicos, sofrem algures dos transtornos e síndromes das mais diversas.

     A psicologia não dorme em berço esplêndido, quando o assunto é dinheiro. Especialmente, quando este dinheiro, símbolo de energia, deixa de movimentar o ciclo do crescimento material, para promover a desagregação psíquica do ser humano.

     Diz o axioma popular que, “dinheiro traz a felicidade”. Até que ponto isto pode ser verdadeiro? Que tipo de riqueza estaria se referindo o anônimo autor? Quem sabe você não poderia tentar nos responder? Ao menos tentar...

       Dr. Marcos Calmon

CRP 05 / 32.619

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