EM BUSCA DA CURA

       

A primeira coisa que um paciente pergunta na minha clínica psicológica é:

        Doutor, quando vou ficar curado?”

É uma pergunta clássica na maioria dos casos, é verdade. Mas, isto não ocorre por acaso, quando a medicina surgiu com a proposta de atender as demandas do corpo biológico que sofre, seja sedando os sintomas ou manipulando órgãos ou vísceras defeituosas para o organismo. Houve naturalmente, uma distorção na questão semântica da cura e, paralelo a isto, na produção de um “biopoder”, segundo Michel Focault, que “medicaliza” o sintoma, que em muitas vezes, não é simplesmente da ordem biológica, mas psíquica, oriundas de vivências naturais da vida cultural, social e política (na sua acepção mais ampla) de qualquer sujeito humano.

         Por isto, a minha resposta para eles, é sempre a mesma: “Infelizmente eu não tenho uma pílula mágica para o seu caso...” Eles me olham meio assustados, não é para menos, a indústria milionária dos produtos farmacêuticos, vem criando pílulas milagrosas que curam de tudo um pouco, de Azia a Zoofobias, ou seja, um catálogo completo a peso de ouro, disponíveis nas prateleiras das farmácias com ou sem prescrição médica, um verdadeiro “shopping” da saúde!

         O resultado disto é, que as pessoas não suportam mais sentir nenhum tipo de mal estar, logo correm apavoradas dos seus sintomas, buscando mascarar a realidade com uma eficiente sedação. Em outras palavras, manipulação bioquímica, com possíveis efeitos colaterais. Como se fosse possível sedar as emoções e os sentimentos, envolvidos nas etiologias naturais da complexa subjetividade humana. Doce ilusão...

Alguns voltam para o meu consultório com um rótulo na testa de “hipocondríacos”. Não é para menos, afinal, quem não resiste aos apelos publicitários desta indústria que constrói habilmente o nosso imaginário de felicidade sem sacrifícios?

É óbvio, que toda a área da saúde está implicada na conquista da cura dos nossos males. No entanto, não podemos compreender o homem, como sendo apenas uma “coisa mecânica”, que somente as práticas do discurso higienista ou, com seus princípios fisiológicos e “realistas”, poderão dar conta.

A saúde pode ser encontrada em bases biológicas, psicológicas ou espirituais (no sentido transpessoal e existencial). Ou simplesmente, não poderá ser encontrada em nenhuma dessas fontes de saber, tornando-se necessário à convivência pacífica com os nossos males, sob pena de agravamento da situação.

A saúde pode ser uma retórica idealizada. Neste discurso, somos todos induzidos a crenças ideológicas, próprias do capital. Afinal, o que é ser saudável? Acreditamos piamente nos pressupostos da eterna juventude, a tal ponto, que não suportamos mais os primeiros lampejares da decrepitude? Somos tomados de horror quando percebemos a primeira ruga? Ou sentimos o mundo cair, quando a morte ceifa inefavelmente os nossos entes queridos, como faz há milhões de anos. Mas agora, precisamos urgentemente de algum “benzodiazepínico” para dar conta do recado. Neste caso amigo, chore! Isto também vai fazer muito bem a sua saúde e, não vai lhe custar nada, acredite!

A psicologia nós faz um convite para uma reflexão consciente das nossas demandas intra e extra psíquicas. Experimente se olhar no espelho mágico da vida (semelhante aquele da megera de Branca de Neve, o qual, só nos fala a verdade), e já teremos dado um importante passo para a conquista desta bendita cura, que muitas vezes poderá estar muito mais perto de você, do que pensa.

         Mas, é preciso um caminhar, é preciso um questionar, é preciso... Viver o aqui-e-agora sem culpas “incuráveis!

Dr. Marcos Calmon

CRP 05 / 32.619

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