O AMOR ENTRE DUAS PESSOAS

 

Eis o senhor dos temas! Reina absoluto nas músicas, nos filmes, nos teatros, nas religiões, nos bate-papos, naquela fofoca considerada uma instituição nacional. Enfim, o amor!

Líder de audiência, virou produto de consumo em massa e, basta sairmos da infância para entrar na adolescência, para nos tornarmos alvos vulneráveis daquela ordinária flecha do cupido. E em pouco tempo, estamos andando por ai, com aquele olhar perdido e fazendo coisas que outrora, consideraríamos pura insanidade, não se assuste... é o amor! É assim mesmo, nos faz desejar passar ardentemente horas sem fim com este outro que nos causa taquicardia, mas que nenhum cardiologista consegue dar jeito. Não adianta fugir da influência deste maravilhoso objeto dos nossos desejos mais íntimos, transformado da noite para o dia, em alvo de toda nossa idealização romântica. Qual é o diagnóstico doutor? Você está irremediavelmente apaixonado meu amigo e, sem nenhuma possibilidade de cura em curto prazo. Mas, não se preocupe, você vai sobreviver.

Mas, o que é mesmo o amor?

Eu sei que os Beatles já disseram que “All we need is love” e o Roberto Carlos já pediu um “café para nós dois”, mas o amor entre o homem e uma mulher ou um controverso casal de homossexuais, é o resultado das nossas crenças pessoais no contexto sócio-histórico e cultural. Algo, construído desde o nascimento, quando as mamães dizem: “Eu te amo meu filhinho...”. É o amor maternal, nos ensinando as primeiras lições de afeto na escola dos futuros apaixonados. São os contos de fadas que constroem o outro como príncipes ou princesas, belos, fortes e cheios caráter. Não é à-toa que o amor é cego, não fomos preparados para a desilusão, para a dor, para os defeitos do outro e, quando a paixão dos primeiros tempos acaba, não suportamos “ver o rei nu”, no sentido metafórico, é claro!

As uniões estáveis se tornam instáveis, a beleza da juventude vai logo desaparecendo, o hálito de menta se transforma em mau-hálito das manhãs, a convivência romântica se transforma em rotina, e aí? Acabou o amor? Desta vez o príncipe virou sapo e ele que volte para o seu brejo?

Conheci um paciente, que sofria do “mal de Dom Juan”, isto é, ele era viciado em paixões fulminantes, logo tinha sempre uma nova musa a lhe inspirar a vida, parece poético, não? Mas na prática, ele sabia que não era nada. Era um viciado em serotoninas que não queriam lhe acordar do seu sonho mágico para viver a realidade.

Realidade? O que é isto?

É quando acordamos das nossas idealizações imaginárias e, nos damos conta que o outro amado, é uma pessoa como nós mesmos, ela possui imperfeições! As ferramentas utilizadas após a noite de núpcias chamam-se paciência e confiança naquele em quem você mesmo escolheu como companheiro(a). A menos que a sua vida esteja em risco, (neste caso o seu investimento faliu), mas, abandonar aquele que outrora amamos, simplesmente porque a vida é difícil e cheia de obstáculos, reflete apenas o egoísmo daqueles que querem viver um grande amor sem desafios, é como querer receber rosas sem espinhos, é manter-se eternamente na condição prazerosa de quem recebe e nada dá em troca.

O verdadeiro amor não morre com o tempo, na verdade, ele se transforma para uma nova fase de cumplicidades, documentada pelas cicatrizes dos momentos difíceis e já superados. Os casais maduros sabem o que estou dizendo. Não há garantias para o amor, é uma construção que realizamos diariamente, se o perdemos, teremos que recomeçar tudo de novo... E de novo... Mas, não é para encontrar um outro ideal, pois ele não existe... Mas, é com certeza, para encontrar o seu ideal que ainda não aprendeu a amar de verdade.

   Dr. Marcos Calmon

CRP 05 / 32.619

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