O QUE É...

 

BAIXA TOLERÂNCIA À FRUSTRAÇÃO?      (B.T.F.)

 

 

Quem nunca assistiu alguém ter uma simples crise de raiva? Ou quem nunca teve a sua própria crise de raiva, que atire a primeira pedra. Hummm... Acho que todos nós, em algum momento de nossas vidas, já demos um “piti”, não é verdade? (abafa o caso!)

No entanto, quem está sempre explodindo diante de um estímulo qualquer ou específico, detém algo muito mais perigoso, que pode resultar em pura fúria mental, fazendo um conhecido quadro de temperamento explosivo, que é nitroglicerina pura!

Quem não se lembra do camelô, André Ribeiro, 36 anos, que passou a freqüentar as páginas policiais, ao deixar como refém a sua ex-esposa (Cristina Ribeiro, 35 anos) com uma arma apontada para sua cabeça, dentro de um ônibus com mais de 55 passageiros em pânico, há algum tempo atrás?

E, no final, a vítima “perdoou por amor”, segundo ela, mas isto já é outra história...

Paradoxalmente, temos aqui o exemplo clássico de uma personalidade explosiva muito mais frágil e insegura do que se possa imaginar. Apesar da sua aparência forte e agressiva naquele momento, o agressor estava na realidade, inconscientemente, pedindo ajuda, enquanto todos os seus amigos, parentes diretos e indiretos corriam na contramão, fugindo apavorados da sua presença e, não era para menos! O problema é que isto não estava ajudando muito o “paciente” em nada. Torna-se um perverso efeito cíclico, que alimenta cada vez mais o desequilíbrio emocional, é o drama da vida real! São situações que poderão destruir os relacionamentos profissionais e domésticos, atrapalhar os estudos de qualquer um, acabar com casamentos duradouros, transformar belas histórias de amor em ódio, etc. E, principalmente, empurrar o doente para situações limítrofes, na qual ele terá uma grande chance de cometer crimes como esses ou piores e, terminar os seus dias vendo o sol nascer quadrado ou morrer.

A pergunta que não quer se calar é: Existe cura para isso? E a resposta, não poderia ser diferente, ou seja, antes que o mal se cronifique, sim!

Os remédios poderão conter as crises, é verdade! Mas, não darão conta da sua etiologia existencial, produzida através da uma história de vida única. O paciente precisa se implicar (conscientizar) dentro de um tratamento sério, onde possa desenvolver responsabilidades emocionais consigo mesmo, estimulando a sua capacidade interna de aceitar melhor as perdas, estimulando mais a paciência “atrofiada” por falta de uso, respeitando os próprios limites e, principalmente, os limites do mundo que o cerca com suas fronteiras psíquicas.

Poderá a bioquímica sedar as emoções para sempre? Poderá uma simples pílula resolver os problemas de ordem vivenciais? Se um rio represado apresenta uma rachadura na sua estrutura, poderemos fingir que não é nada? As pessoas que vivem na cidade localizada abaixo desta represa poderão viver em paz? Mesmo sabendo que há uma torrente d’água vindo a qualquer momento, para varrer todo o lugar? O que você acha?

Baixa tolerância à frustração é como uma rachadura na estrutura psíquica, e isto significa um alerta para o paciente ganhar tempo e fazer os “reparos” necessários. Tudo para fortalecer o todo, nesta relação entre o afeto e a razão, do contrário, os paliativos apenas criarão uma falsa sensação de segurança e bem-estar, até que o pior aconteça, e sabe lá Deus o que isto significará...

   Dr. Marcos Calmon

CRP 05 / 32.619

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